#

Metrópoles destaca a 1ª Jornada Literária do DF

#

Anote na agenda. Eventos de literatura movimentam Brasília em julho

A leitura está declinando no país. Segundo dados da 4ª edição da pesquisa Relatos da Leitura no Brasil, coordenada pelo Instituto Pró-Livro, a produção total de livros diminuiu 10,87%, em 2015. A participação da literatura adulta nesse universo, já em redução, também caiu: de 9,67% para 7,43%. É preocupante.

Para fazer frente a essa realidade, ocorrem em Brasília, em julho de 2016, dois eventos importantes de formação de leitores e incentivo à leitura: a 1ª Jornada Literária do DF, de 12 a 16 de julho, e a 32ª edição da Feira do Livro de Brasília, de 16 a 24 de julho. São eventos independentes, mas que compartilham os mesmos objetivos. Nesse inverno, Brasília será a capital da literatura.

A Jornada Literária do DF resultou de um projeto selecionado para receber recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), e ocorrerá no Centro de Cultura e Desenvolvimento do Paranoá (Cedep), como uma tentativa de descentralizar os eventos culturais. A abertura oficial será em 12/07, às 19h30, com a apresentação do poeta Nicolas Behr e do grupo Tamnoá, mas o evento já estará aberto à visitação pela manhã, a partir das 9h, quando começa o primeiro espetáculo para o público infantil e também a Feira de Troca de Livros, que funciona no local durante todo o evento.

O idealizador e curador do projeto é o escritor João Bosco Bezerra Bonfim, autor de diversos livros infanto-juvenis. Ele explica que não se trata de um projeto individual para a produção de uma obra específica, mas a proposição de algo que pudesse deixar um legado. Assim, o evento visa principalmente incentivar e apresentar obras e escritores a alunos e professores da rede pública de ensino, estes os grandes estimuladores e apoiadores do hábito da leitura entre seus estudantes.

Bonfim também ajudou a realizar o Circuito de Feiras do Livro de Brasília, outro evento de descentralização das atividades culturais, organizado conjuntamente pelas Secretarias de Educação e de Cultura, com recursos do Ministério da Cultura. O circuito ocorreu entre 28 de março e 27 de abril de 2016, e contou com eventos em nove cidades (Ceilândia, Taguatinga, Gama, Guará, Brazlândia, Paranoá, Planaltina, Varjão e Núcleo Bandeirantes), com a participação de 90 autores.

Foram mais de 420 horas de atividades, com a participação de 40 mil estudantes, alguns em contato pela primeira vez com grandes autores. Houve momentos sublimes, como o recital de poesia em língua de sinais, para um grupo de alunos com deficiência auditiva.
Além da feira de trocas de livros, a Jornada prevê o encontro dos visitantes com escritores da cidade reconhecidos nacionalmente, como José Rezende Jr., Nicolas Behr e Alessandra Roscoe; oficinas de produção literária para o público; shows e espetáculos que dialogam com o mundo literário; e uma imersão de alguns autores numa escola rural do Paranoá, a Café sem Troco, no dia 11. A programação completa pode ser encontrada aqui. Eu vou. Vamos?

No mesmo dia de encerramento da Jornada, começa no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, a 32ª edição da Feira do Livro de Brasília, depois de um soluço de três anos, já que a última edição havia ocorrido em 2013.

A edição deste ano terá como tema a Educação e o mote “meu mestre, meu livro”. Como na Jornada, os professores são o foco e a organização ainda deve anunciar algumas surpresas para eles. A programação, que inclui o Encontro de Jovens Escritores, o Encontro de Blogueiros Literários e um especial Shakespeare, pode ser encontrada aqui.

Os editais para lançamentos receberam centenas de propostas e o evento deve “bombar”. A programação e a história da retomada do evento, velho conhecido dos brasilienses, será objeto da coluna da próxima semana. Nesse eu também vou. Coloque na sua agenda!

Antes disso tudo, na quarta-feira (29/6), começa a 14ª Feira Literária Internacional de Paraty, a Flip. O evento, que vai até o dia 3 de julho e é um dos mais tradicionais do calendário brasileiro, homenageia a poeta Ana Cristina César, que se suicidou em 1983. A programação, de calibre mundial, pode ser conferida aqui. Nesse eu não vou, pois estarei fora do país. Lamentei a data da viagem. Para não dizer que não falei da Flip, fecho com dois poemas da homenageada.

______________________________________________________

Homem Público n.o 1
“Tarde aprendi
bom mesmo
é dar a alma como lavada.
Não há razão
para conservar
este fiapo de noite velha.”

“olho muito tempo o corpo de um poema
até perder de vista o que não seja corpo
e sentir separado dentre os dentes
um filete de sangue
nas gengivas”

Ana Cristina César


12 a 16 de julho de 2016

No Centro de Cultura e Desenvolvimento do Paranoá


logos Apresentação
logos-rodapeApoio:Apresentação: