A cultura educa quando escola pública cultiva a literatura

Vincular um projeto de literatura como o da Jornada Literária do Distrito Federal ao processo regular de educação é um propósito explícito.

 

Estudantes da rede pública de ensino do DF na 1ª Jornada Literária, em 2016 no Paranoá. Foto: Cícero Bezerra

Tem sido imprescindível a parceria estabelecida com a Secretaria de Educação, por intermédio das Coordenações Regionais de Ensino. Este ano, escolas do Gama, Recanto das Emas, Samambaia e Santa Maria foram chamadas a participar do evento; a exemplo de 2016, quando as do Paranoá e Itapoã e a de São Sebastião, abriram suas portas para nosso convite.

A meta inicial da Jornada Literária será superada, tanto em número de oficinas quanto em participantes das atividades. E esse é um momento em que o diálogo com os educadores – nossos parceiros estratégicos – se revela fundamental, pois há uma delicadeza quando buscamos essa parceria: primeiro de tudo porque as escolas públicas têm suas próprias agendas extracurriculares, dentro da liberdade de ensino que têm. Por isso, a proposta da Jornada é submetida aos gestores, que a acolhem, de acordo com o próprio projeto pedagógico, atendimento ao calendário, vocação da comunidade.

O propósito da Jornada é oferecer um serviço especializado no campo da formação de leitores, no contexto das atividades que já vinham sendo desenvolvidas e que  continuem a ser realizadas no período posterior ao das oficinas e encontros com escritores.

As salas de leitura das escolas constituem-se em um espaço (físico) e em atitudes em prol da literatura. E auxiliam na superação da inexistência de bibliotecas públicas proporcionais à população das regiões administrativas. São pequenos oásis de amor à leitura, em meio a uma sociedade que ainda não chegou a um patamar de leitura desejável.

Nas salas de leitura das escolas, por um lado, são reconhecidas as limitações físicas de instalações e de pessoal especializado; mas, por outro, vê-se o quão fundamental é a busca de superação: com recursos do Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF), por exemplo, encontramos salas de leitura reorganizadas; com os acervos fornecidos pelo Programa Nacional de Bibliotecas Escolares (PNBE), professores e professoras responsáveis pelas salas realizam verdadeiras maravilhas, recompondo ambientes aconchegantes, exibição adequada de livros, criando horas fixas para leitura semanal.

A decisão firme de apoiar as atividades da Jornada, por parte das regionais de ensino, é um elemento essencial, pois há uma – boa – energia envolvida em todo o processo; e que demanda vontade política dos gestores, atitude sem a qual a Jornada não alcançaria a organicidade que vem atingindo.

Por onde anda, a Jornada encontra parceiros firmes da leitura, na figura dos gestores, coordenadores pedagógicos e de educadores. Esse é o grande valor do projeto, que enxerga nesses profissionais o criativo espaço da formação de novos leitores; e do incentivo aos leitores já formados.

João Bosco Bezerra Bonfim

Curador da Jornada Literária do DF

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